Travessia Serra Fina – Parte 1 – Para o Alto e Avante

Trilhas

Uma das travessias mais famosas do Brasil, a Serra Fina reúne montanhistas de todas as partes e é considerada por muitas pessoas como a travessia mais difícil do país, informação essa, que sempre vai gerar discussões. O fato é, se ela não é a mais difícil, sem duvida está no topo da lista. Seu incrível desnível topográfico e a falta de água fazem dela um belo desafio a ser vencido e a palavra que vocês mais vão ler durante o relato ou ouvir durante a travessia é “subida“.

Características

Dificuldade: Alta
Distância: 34 km
Altitude Máxima: 2.798 m
Circular: Não

Como Chegar

A travessia se inicia na estância hidromineral de Passa Quatro/MG que faz parte do Circuito Terras Altas da Mantiqueira.

Vindo de São Paulo:

De Carro: Airton Sena, Carvalho Pinto e Via Dutra
Saída para MG: km 46 – Canas | Km 39 – Cachoeira Paulista | Km 34 – Cruzeiro

De ônibus: Viação Cometa – Tel: (11) 6221-2955 | Viação Pássaro Marrom à Cruzeiro – Tel: (11) 6221-0244

Vindo do Rio de Janeiro:

De Carro: Via Dutra até km 22, Lavrinhas, Cruzeiro, Passa Quatro

De ônibus: Viação Cidade do Aço a Cruzeiro* – Tel: (21) 2136-4750
* De Cruzeiro para Passa Quatro o passageiro continua na Viação Cidade do Aço somente compra uma passagem complementar de Cruzeiro a Passa Quatro (Distância: 23,0 Km) | Horários de partida: 06:15 – 10:30 – 14:15 (executivo) – 19:00 – 20:45

Vindo de Belo Horizonte:

De Carro: Fernão Dias até Três Corações, Caxambu, Pouso Alto, Itanhandu, Passa Quatro

De ônibus: Viação Gardênia a São Lourenço* – Tel: 0800-302000
*de São Lourenço para Passa Quatro: Viação Cidade do Aço (Distância: 49,8 Km)

A Travessia

Fizemos essa travessia no feriado de corpus christi, nos dias 4,5,6 e 7 de junho de 2015. Já fazia muito tempo que eu queria fazer ela, mas sempre acontecia alguma coisa que atrapalhava. Dessa vez nada deu errado e quem me acompanhou foi meu pai.

Saímos de Taubaté as 00:55h da quinta-feira com destino a Passa Quatro, onde chegamos por volta das 03:00h e ficamos esperando a Gisely do blog “A Montanhista”, o Rafael do blog “Seu Mochilão”, o keisuke do blog “Outdoor” e um grupo de amigos deles para pegarmos o transporte que nos levaria até o inicio da travessia.

Chegamos por volta das 05:00h e o pessoal já começou a se preparar para iniciar a subida. Como essa seria nossa primeira vez na Serra Fina, preferimos ficar esperando o sol nascer para não perder nenhum detalhe da travessia. O pessoal subiu e nós ficamos esperando até as 07:00h para iniciar.

Essa travessia tem poucos pontos de água, então você terá que carregar água suficiente para beber durante o dia, fazer a comida e beber um pouco mais no dia seguinte até chegar no próximo ponto d’agua. Se você não estiver com a mochila carregada, no primeiro dia as duas únicas opções são o rio em frente a toca do lobo ou uma queda d’agua antes da subida do Quartzito(que é uma baita descida na lateral direita da trilha). Como eu estava carregando a barraca e a grande maioria da comida, meu pai carregou a mochila com quase 4 litros de água e eu com 2 litros de água e peguei mais 1 litro para fazer um isotônico.

Bom, passando a toca do lobo, basta atravessar o rio a direita e ai meu amigo, é para o alto e avante mesmo, a partir desse momento se prepare para subir por horas e horas até o alto do Capim Amarelo. Logo nos primeiros minutos de subida a vista já fica incrível, para todos os lados existem belas paisagens a serem apreciadas.

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Chegando ao topo do Quartzito já é possível avistar toda a crista do Capim Amarelo até o seu cume, acho que essa é a foto mais famosa da Serra Fina, o estreito caminho por toda a crista da serra.

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O Cume do Quartzito esta a 2.020m de altitude e dele partimos para o cume do Capim Amarelo que esta a 2.491m de altitude. Nesse trecho não tem como se perder, basta seguir a trilha pela crista e próximo ao cume, começa um trecho bem ingrime, com bastante barro e bastante escalaminhada, alguns trechos contando inclusive com cordas para apoio na subida(não confio muito nessas cordas, mas estão lá para quem quiser usar). Durante essa subida é possível observar de longe o Pico do Marins e o Pico do Itaguaré onde fizemos a travessia em abril.

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O tempo estava todo aberto, lindo de se ver, quando chegamos no cume do Capim Amarelo, adivinhem só? Subiu um monte de neblina, não conseguimos ver nada lá de cima.

A montanha estava abarrotada de gente, chegamos no cume por volta das 14:00h e não havia mais nenhum lugar para acampar por ali. Ficamos um tempo descansando e trocando ideia com o pessoal que já estava lá sentado e decidimos partir em direção ao Maracanã que fica mais ou menos a 2h de caminhada dali. A saída do Capim Amarelo é o único ponto do primeiro dia que pode gerar duvida de navegação, existem algumas trilhas seguindo reto que não levam a lugar nenhum, você precisa pegar a trilha pela direita. A descida é por uma trilha com bastante árvores e bambus,  você ainda vai ouvir falar muito desses bambus que agarram em tudo e dificultam a locomoção em diversos pontos da trilha.

No vale entre o Capim Amarelo e o Maracanã existe um ponto de acampamento que o pessoal chama de avançado, fica no meio de um bambuzal, quando passamos por ali já haviam muitas pessoas acampadas, passamos e iniciamos a ultima subida(eu disse que subida era a palavra que ia se repetir toda hora) até o maracanã. Desse acampamento até o maracanã leva no máximo mais 20 minutos. Bom como eu disse a montanha estava muito cheia, então se você perceber que muita gente já passou na sua frente sentido Maracanã, considere dormir no acampamento avançado no meio do bambuzal mesmo. Nós conseguimos um lugar no Maracanã bem inclinado, era deitar e escorregar até a porta da barraca rsrs

Lá no Maracanã encontramos a Thais Cavicchioli Dias, que já fez a trilha do Pico do Corcovado em Ubatuba/SP conosco e na foto abaixo da para ter uma noção de como estava cheio o acampamento.

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Como não tínhamos dormido muito bem no ônibus sentido Passa Quatro e já iniciamos a trilha, estávamos com muito sono, então montamos a barraca, fizemos comida e já entramos para dormir, seria uma noite fria e não muito confortável naquela posição inclinada.

Vou terminando o post por aqui para não ficar enorme. No próximo post conto a saída do Maracanã com destino a Pedra da Mina onde pegamos uma noite extremamente fria, com muitos ventos fortes e depois até o Pico dos Três Estados, onde fomos agraciados com um espetacular nascer do sol por detrás do Pico das Agulhas Negras\o/

Continuação: Travessia Serra Fina – Parte 2 – Frio E Vento Forte

Tiago
Tiago
Paulistano, formado em Administração, geek profissional , sócio proprietário de uma empresa de desenvolvimento de software, protótipo de atleta, trekker, montanhista, mochileiro, amante de natureza e outras coisinhas mais :-)

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