Travessia Serra Fina – Parte 2 – Frio e vento forte

Trilhas

Essa aqui é a continuação do post sobre a travessia da Serra Fina, se você ainda não leu a primeira parte, clica aqui para ficar por dentro do que rolou no primeiro dia da travessia 😉

A Travessia

Bom a primeira noite passamos no Maracanã e no dia seguinte acordamos um pouco mais tarde do que estamos acostumados durante as trilhas. Preparamos uma sopa, desmontamos tudo e saímos por volta das 08:15h em direção a Pedra da Mina.

Uma dica aqui, existe um ponto chamado Dourado logo depois do acampamento do Maracanã com água, cerca ai de 20 minutos de caminhada, o caminho para chegar nesse ponto é passar o acampamento em direção a Pedra da Mina, em determinado ponto a trilha irá se dividir em uma que sobe a Serra e uma que desce, pegando essa que desce você vai encontrar água, só não sei se tem água o ano inteiro. Esse ponto esta inclusive no mapa que fica lá no começo da trilha.

Voltando do Dourado e pegando a trilha da direita subindo, começa a jornada de sobe e desce novamente. Mesmo saindo um pouco tarde, o tempo estava frio e a neblina ainda cobria todo o vale, formando belas paisagens.

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A caminhada do segundo dia é cansativa também devido ao grande sobe e desce, porém, é bem mais leve que o primeiro dia. Achei o segundo dia bem parecido com a travessia Marins x Itaguaré com aquele monte de sobe e desce próximo a pedra redonda. Com relação a navegação é bem tranquilo, preste atenção nos totens e não tem erro, você vai seguir sempre pela crista da serra, existem algumas trilhas algumas vezes até melhor do que as que vão em direção a crista, porém, estão descendo, não caia na cilada de seguir por ela, pegamos uma por engano e andamos um pouquinho errado.

Durante o caminho, olhando para traz da para entender porque o primeiro dia é tão pesado.

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Após quase 4 horas de caminhada, nossa água já estava acabando e chegamos no Rio Vermelho. Nesse ponto você já consegue ver a Pedra da Mina e algumas pessoas nos falaram para não pegar dessa água porque ela era ruim, esse ponto fica fora da trilha, ao lado direito, você vai ver a cachoeira vermelha enquanto estiver descendo em direção ao vale onde ela esta, então não tem erro para achar. Esse não é o ultimo ponto de água, passando a entrada para esse rio e seguindo a trilha normal, cerca de 25 minutos a trilha vai cortar o rio, então você pode pegar água nesse lugar também.

Nós preferirmos ir na cachoeira vermelha e fazer almoço, como iriamos colocar clorin e ferver a água, estávamos tranquilo.

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Enquanto a comida ficava pronta, sai para bater umas fotos, dali é possível avistar a subida do Capim Amarelo e atras dela o Marins e o Itaguaré, uma linda visão.

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Almoço feito, bem alimentados, partimos mais ou menos as 14:30h em direção a Pedra da Mina. Independente de você pegar água nesse ponto fora da trilha ou no outro ponto mais para frente que corta a trilha, não precisa carregar muito a mochila, na descida da Pedra da Mina, no Vale do Ruah tem água novamente, então se você for acampar na Pedra da Mina leve água para a subida e para a comida, se for acampar no Vale do Ruah leve água apenas para mais 3 horas de caminhada.

A subida para a Pedra da Mina não é tão inclinada, é uma subida mais longa e cheia de falsos cumes, olhando de baixo parece que chegou mas ainda não era o cume, mas é uma subida sem erro, siga os totens e toca pra cima.

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Quando estávamos quase no cume da Pedra da Mina, adivinhem o que aconteceu de novo? neblina, muita neblina e ventos gelados. Chegamos no cume pouco depois das 16:00h já com visibilidade reduzida e quando olhamos em volta não havia espaço para a barraca, deixamos as mochilas e começamos a procurar um lugar para acampar e achamos a uns 50 metros de onde fica o livro um ponto um pouquinho abaixo onde cabia exatamente nossa barraca, corremos para garantir o lugar e montamos a barraca sobre o capim, ficou muito confortável, pensei até que essa seria nossa melhor noite de sono. Como o tempo estava todo fechado, não deu para ver o por do sol e então decidimos ficar dentro da barraca. Mais ou menos umas 19:00h começamos a ouvir uma galera que estava acampada próximo da gente gritar que o céu abriu. Saímos da barraca e o céu abria e fechava a todo momento, porém, quando ele abria, era o céu estrelado mais bonito que já vi na vida, venceu fácil o céu da praia do Bonete em Ilhabela que até então era o mais lindo que eu tinha visto. Minhas fotos ficaram muito zoadas, mas vou colocar uma só para ter uma vaga noção do que era o céu rsrs

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O Vento estava muito forte, o frio demais, estava balançando tudo o tripé da câmera e congelando minhas mãos(com a luva eu não conseguia mexer na câmera), resolvemos voltar para a barraca e dormir e mesmo depois a galera gritando que a lua apareceu, não deu coragem de sair do quentinho.

Quando deu 02:00h eu acordei com meu pé congelando, muito, mas muito frio, o vento balançando toda a barraca e um pessoal que estava ali perto gritando que o vento quebrou a barraca deles, se decidir acampar no cume, escolha um saco de dormir que realmente aguente a temperatura do cume e uma barraca que aguente o vento rsrs

Tentamos dormir e pela manhã nada havia mudado, estava muito frio e tudo fechado, já sabíamos que teríamos dificuldade para descer até o Vale do Ruah sem enxergar nada, no fim do post deixo o vídeo que fizemos no cume antes de iniciar a descida, o vento estava tão forte que estava difícil ficar parado.

Desmontamos tudo e encontramos um grupo que estava vendo se descia ou não para o Ruah, logo em seguida chegou mais um grupo grande, juntamos todo mundo e começamos a descer em direção ao Vale do Ruah sem enxergar quase nada e logo no começo da descida foi “colocado em votação”, voltar e abortar a travessia pela descida do Paiolinho ou continuar a travessia naquelas condições mesmo. Bom todos optaram em continuar, para quem chegou até ali, desistir ia ser frustante.

Conforme a altitude ia baixando, o vento forte ia diminuindo também e em 30 minutos chegamos no famoso Vale do Ruah, ele também estava com bastante neblina e pensei, “se todo mundo pediu para eu tomar cuidado ali com tempo bom, imagine com tempo ruim”. Fomos nos orientando pelo GPS e não teve erro, não erramos o caminho nenhuma vez ali.

Achamos o Rio Verde que seria nosso último ponto de água até o fim da travessia no dia seguinte, teríamos que ter água para andar o dia inteiro, fazer comida e andar o dia seguinte até chegar em uma mina d’agua já praticamente no fim, porém, não queríamos mais carregar tanto peso, então fiz um acordo com meu pai de racionalizar água e assim pegar menos.

Eu fiquei 1,25l de água na mochila e mais 1l que fiz um isotônico e meu pai ficou com 2,5l na mochila dele, dessa forma teríamos 3,75l de água para praticamente 2 dias e 1l de isotônico para tomar durante a subida do Pico dos Três Estados, até então estava tudo sob controle.

Partimos então em direção ao Pico dos Três Estados, no próximo post conto o que aconteceu com nosso super estoque de água, como foi o lindo nascer do sol no Pico dos Três Estados e a descida para o fim da trilha, até lá…

Bônus

Vídeo feito as 7:50h no cume da Pedra da Mina, friooooo e muito vento.

Tiago
Tiago
Paulistano, formado em Administração, geek profissional , sócio proprietário de uma empresa de desenvolvimento de software, protótipo de atleta, trekker, montanhista, mochileiro, amante de natureza e outras coisinhas mais :-)

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